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quarta-feira, 16 de março de 2011

St-Paul-de-Vence. A cereja do bolo

Estávamos em Nice na nossa primeira passagem pela Provence, em julho/2008. A parte velha da cidade, as lojas, os restaurantes, os bares, os rosés, os aromas de lavanda e o azul (que azul!) do mar e dos olhos das belas francesas... tudo estava impecável e parecia não haver possibilidades de melhorar até que...

Resolvemos alugar um carro. As tradicionais locadoras internacionais tinham preços convidativos, porém não tinham disponibilidade imediata. Fomos numa locadora regional e depois de um atendimento prá lá de “simpático” (se é que você me entende) conseguimos já sair de carro e com uma tarifa favorável. O destino era Saint-Paul-de-Vence (31 km a norte de Nice). Andar pela Costa Azul não foi tão difícil até pedir a primeira informação, pois o carro não tinha GPS. Em Cagnes-sur-Mer, uma cidade que aparentemente não tinha nada a nos revelar e parecia ser apenas uma passagem para St-Paul-de-Vence acabou sendo um feliz labirinto, ela fica empoleirada em uma colina.. 



La maison de Colette a Cagnes
Subíamos, descíamos, entrávamos à direita, à esquerda, engatávamos a marcha ré e púnhamos a prova nosso francês impecável de oitava série. É verdade que foi difícil nos localizar em meio às ruelas de Cagnes, mas nessas tentativas saímos lucrando ao encontrar placas que indicavam para o Museu de Renoir (Musée Renoir & Les Collettes), onde o pintor morou de 1908 até sua morte, em 1919.

Domaine des Collettes, maison d'Auguste Renoir à Cagnes-sur-Mer

Chegando lá, mais uma vez nos perdemos... mas dessa vez foi pela emoção de estar passando por um jardim de oliveiras que foi cenário e inspiração para muitas de suas pinturas e esculturas, as quais eram expostas no exato local onde foram pintadas. Foi muito especial ter visto páginas dos livros de História da Arte ao vivo e em cores. Amamos!

 





St Paul de Vence


 Inspirados por um dos mestres do Impressionismo fomos em direção a St-Paul-de-Vence. Uma daquelas estradinhas básicas do verão de Cotê d’Azur, daquelas estreitas, com pouco movimento, com plantações de olivas de um lado e lavanda de outro. Nela conseguimos avistar, no topo da colina, um pequeno vilarejo. De tão pequeno, ficamos na dúvida se era um castelo ou mesmo um vilarejo. Mais algumas curvas tivemos a certeza que tínhamos chegado em nosso destino.












Fondation Maeght


St-Paul-de-Vence (www.saint-pauldevence.com), uma vila que fica dentro de muralhas medievais construídas no século XVI, com ruas de pedras arredondadas, é minúscula e transpira arte, dos tradicionais artesanatos a mestres consagrados da pintura e escultura que por lá passaram e se apaixonavam com o que a luminosidade das primaveras e verões revelavam.
Alguns trabalhos de Matisse, Chagall, entre muitos outros, podem ser apreciados no Fondation Maeght Modern Art Museum, mas atenção aos horários e dias de funcionamento (http://www.fondation-maeght.com/index.php/fr/la-fondation).


Dicas práticas:

Como chegar: A estação de trem mais próxima fica em Cagnes-sur-Mer. Cerca de 20 onibus por dia partem de Gare Routière de Nice, deixando os passageiros em St-Paul-de-Vence (passagem única: 1 euro) e em seguida, em Vence.

Se você estiver de carro, vindo de Nice, pegue a rodovia costeira A8 a leste, virando para o interior de Cagnes-sur-Mer e seguindo os sinais ao norte de St-Paul-de-Vence.

Dirigir um carro na parte antiga da cidade é proibido, exceto para deixar suas bagagens no hotel


sábado, 12 de março de 2011

Ligúria e os encantos das Cinco Terras

Em 2009, em Florença, escutamos uma senhora falar de Cinque Terre.

O local onde estávamos merecia, por si só, uma atenção especial: estávamos sobre a Ponte Vecchio curtindo os festejos do dia de San Giovanni. Fato é que, ao terminarmos a travessia da ponte, já tínhamos um destino para o ano seguinte… e lá fomos nós!

O Parque Nacional de Cinque Terre:Monterosso al Mare
Vernazza, com o distrito de Corniglia
Riomaggiore, com o distrito de Manarola











Para chegar a Cinque Terre, na Riviera da Ligúria, Parque Nacional de Preservação (1999) e Patrimônio Mundial da UNESCO (1997), recomendamos os trens regionais. Partimos de Gênova, terra de navegantes desbravadores, como Colombo. Pouco tempo depois, após passarmos por extensos túneis, desembarcávamos em Monterosso al Mare. Mais alguns passos, saindo da pequena estação, já estávamos numa das principais vias do piccolo e bello paese. Olhamos para um lado, para o outro e o nosso silêncio já significava um grande comentário. Estávamos encantados com as primeiras impressões de Monterrosso. Pacata, delicada e com um jeitinho todo especial de vida simples e bem-viver.


Fomos em busca do nosso hotel, ao contrario do que pensávamos, estava perto - longe. Eram apenas uns 600 metros, porém estava no topo de um penhasco do lugarejo. Chegar lá, com malas seria um grande desafio. Foi então que encontramos o motorista do hotel que nos levaria até lá. Ufa!  Hotel Suisse Bellevue  oferece aos hóspedes esse serviço de levar/buscar a cada hora, já que a escalada é bem pesada.


Vista do nosso hotel, magnífica.


A noite passou e o dia amanheceu prometendo. Do alto do morro (e era muito alto) o vento batia forte e era possível curtir a natureza e o azul turquesa que gritava do Mediterrâneo: “venham, venham!”. E lá fomos nós.



Bater pernas por Monterosso, sentir a vida cotidiana, registrar alguns locais para voltarmos mais tarde e seguir (a pé, por uma trilha incrível e desafiadora) para as outras quatro terras: Vernazza, tida como a maior vila embora pareça ser a menor (linda, linda!); Corniglia, no alto de uma formação rochosa parece ser um ponto de observação; Manarola com sua igreja de San Lorenzo datada de 1338, faz conexão com Riomaggiore pela Via dell’Amore. Micro balneários, com construções coloridas e suas enormes delicadezas cercadas por uma natureza exuberante nos encantou.



Se bater perna faz parte dos nossos roteiros, então preciso falar um pouco dessa trilha que liga Monterrosso a Vernazza. Passando pela mata, beirando precipícios com vinhedos e oliveiras e, apesar de toda paisagem, desafia nosso preparo físico o tempo todo.  Levamos cerca de 2 horas nesse percurso. Como prova da organização e da seriedade para preservar a trilha, fomos surpreendidos por uma tenda que nos “vendia” um permesso para passar por ali. O dinheiro arrecadado com essa venda é utilizado pelo Parque Cinque Terre em ações de preservação da localidade (que aos nossos olhos pareceu ser eficaz).




Vista do alto do penhasco, a charmosa Vernazza

Pequeno pedaço de praia de Vernazza
Para chegar a Corniglia é preciso ter folêgo, são 382 degraus

Riomaggiore





Vernazza, Corniglia e Manarola foram surgindo aos nossos olhos e serviam também para recarregar as baterias. De tão pequenas parecia que estávamos em áreas restritas. Essas sensações que são sempre gostosas nos convidava a desfrutar dos carboidratos locais (dá-lhe pasta ao famoso pesto genovês, frutos do mar, vinho local – os brancos são muito aromáticos e harmonizam muito bem com as opções dos menus e com o calor).


















Ao final do dia, com as canelas doces de tanto subir e descer, restava ainda um trecho de caminhada: a Via dell’Amore. Um passeio legal, recomendado aos apaixonados. A tradição manda deixar um cadeado trancado em algum trecho desse caminho, como prova de amor eterno. Encontramos milhares de cadeados, dos mais diferentes tipos e com mensagens prá lá de originais e até emocionantes. Seguindo a tradição, tínhamos que deixar o nosso, claro. E assim fizemos, mas com uma boa dose de originalidade. Deixamos um lacre!





















Na medida em que íamos voltando, repassando pelas cidadezinhas, deixamos uma outra promessa: voltar e permanecer mais tempo naquela interessantíssima região. Sentir mais da sua gente, dos seus temperos e dos vinhos locais, da sua brisa, das praias, mergulhos e muito mais.
Cinque Terre, nos aguarde!


http://www.cinqueterre.it/uploaded_binary/sentieri.jpg


Dicas e informações

Existem trilhas ligando os vilarejos, mas se o tempo estiver ruim, elas são fechadas. Outras opções de transporte são o trem e os barcos. No mapa e nos links abaixo você encontra a distância entre os vilarejos e tempo que se gasta para percorrer a pé cada trilha. Algumas caminhadas são “puxadas” e requer um fôlego extra.


O Caminho do Amor
Nenhuma dificuldade
1 km - Duração 20 '

Dificuldade: baixa
2 milhas - uma hora

Dificuldade: baixa
4 km - 1h 30 '

Moderada
3 km - 2 horas de duração


Pra quem quer se aventurar por toda região, vale a pena adquirir o Cinque Terre Card. Existem 03 tipos: Cinque Terre Card / Cinque Terre Card Treno (comboio) / Cinque Terre Card Battello (Ferry). Um cartão turístico que é vendido para 1,2,3 ou 7 dias e inclui vários serviços na região


Não deixe de visitar La Spezia, Portovenere e Portofino.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Do Chianti a Montalcino. Um passeio inesquecível para qualquer enófilo.

Era final de primavera de 2010. Eu e 8ia já estávamos desfrutando de uma conquista sensacional: no lugar dos tradicionais hotéis alugamos uma típica casa de pedras Toscana (área rural de Panzano in Chianti). Descrever essa passagem merece um capítulo a parte. Neste vou me limitar a falar do nosso giro do Chianti a Montalcino.




Saímos de Panzano rumo a Montalcino. Previsão era de levar cerca de uma hora e meia para percorrer os 85 km que nos separavam. Porém, o fato de sermos marinheiros de primeira viagem para aquela rota e ainda levando em consideração que íamos para área rural em busca de um produtor de Brunellos, achamos por bem sair com maior antecedência.

 

Seguimos bem o primeiro trecho pelas curvas e incansáveis cenários da Via Chiantigiana (S-222). Logo depois de Siena, que está mais ou menos na metade do caminho, precisávamos seguir por outra estrada local. Assim fizemos e tudo indicava que chegaríamos antecipados a visita.




Todo o bom andamento da viagem começou a perder-se, por incrível que pareça, quando chegamos a Montalcino. Procurávamos por um pequeno produtor. Nada de cartazes, placas ou mesmo estrada asfaltada para contribuir com a busca. Minha co-pilota pressentia que estávamos perto. Eu, por outro lado, desconfiava que devíamos seguir em frente e assim fizemos. Andamos bons quilômetros e no horizonte começavam a surgir sinais de Montepulciano. Era a evidência de que tínhamos passado do ponto. Embora estivéssemos em um belíssimo local, estávamos aflitos por chegar, afinal estavam nos esperando em pleno domingo. Já de volta a Montalcino, numa espécie de Cooperativa local adquirimos um mapa com citação de todos os produtores locais e lá estava nosso alvo: CAPRILI. É verdade que o mapa das estradinhas de terra ajudou muito e sem ele dificilmente chegaríamos, mas confesso: foi difícil!


Os primeiros instantes na Azienda Caprili foram tão marcantes quanto degustar dos produtos Premium que fazem. Aliás, uma coisa complementava a outra e se tornavam memoráveis para nós. Fomos carinhosamente recebidos por uma das sócio-proprietárias que nos levou até ao cappo que estava sobre um trator, arando a terra. Ali mesmo, em meio ao vinhedo, conversamos sobre o tipo de solo da região, as chuvas que haviam sido intensas no começo do ano e que deveriam atrasar a vindima; falamos sobre a tradição familiar, as dificuldades, a opção de exportar (que bom que o Brasil está na lista deles!), entre tantos outros pontos que faziam daquela família profissionais altamente conscientes.


Os proprietários e irmãos, Paola e Paolo.
Ao longo de toda a visita fomos percebendo a qualidade de pessoas com quem estávamos lidando. Tudo isso nos despertava uma admiração enorme. Passamos pela área de produção, pela área de guarda com os robles iugoslavos (tipo de tonéis onde os Brunellos envelhecem muito bem) e por fim, quase que de joelhos, degustamos os produtos. Além dos vinhos, um presunto da região e o olio extra-virgem deles nos levavam ao céu (!).
Se a volta de qualquer grande passeio deixa uma ponta de tristeza, confesso que nesse ainda fomos agraciados com um simples detalhe: estávamos na Toscana e o caminho de volta com suas curvas, ciprestes, vilarejos, girassóis e colinas seriam um complemento aquela bela experiência.



Dicas práticas:
Alguns dos seus vinhos são vendidos na Enoteca Decanter (BH) , http://www.enotecadecanter.com.br/home.aspx


Panzano in Chianti:  está a cerca de 30 km de Florença. Acesso de carro. Não tem trem regional;


quinta-feira, 10 de março de 2011

La Vie en Rose

Les Palmiers, delicioso
3 Place Amelie Polonais, 06230
Uma jarra de rosé, uma salada caprese e uma boa companhia para desfrutar de mais uma cena cotidiana: um azul intenso do Mediterrâneo que insiste em colocar barquinhos de pescadores em movimento de ninar. Senhoras amigas passam conversando depois de fazerem a feira juntas. A baguette na mão denuncia a forte tradição do pão junto às refeições. Só isso.

A vida na Côte d’Azur pulsa forte e a intensidade nos surpreende pela sua delicadeza. Em Villefranche-sur-Mer tivemos oportunidades inusitadas de desfrutar desses prazeres. O sol intenso do final da primavera contribui para selar a experiência com chave de ouro, e mais uma taça de rosé (claro!)

Assim como o champagne está para as festividades o rosé está para acompanhar esses momentos ensolarados da Provence e da Côte d’Azur. Cada taça traz frescor, alegria, elegância e femininilidade a alma dos nativos e também nas nossas, viajantes “exploradores” de bons exemplos.

http://www.villefranche-sur-mer.com/




Villefranche-sur-Mer é um vilarejo situado numa baía que parece ter sido esculpida, com todo cuidado, nas encostas pedregosas da região de Nice. Pequena, delicada, pacata. Têm pescadores, lojinhas discretas que ofertam lembrancinhas aos turistas que atracam nos grandes navios que (espertamente) escolhem ali para uma pausa.




Cinema ao ar livre

Restaurantes simples a preços normais oferecem cardápios suficientes para o viajante ter tempo para se dedicar a contemplação. Havendo sorte de agenda, pode-se ainda curtir cinema ao ar livre, pois a Prefeitura oferece festival no pátio do castelo medieval (!) onde está instalada. Pode-se ainda, no primeiro dia do verão, curtir algumas atrações da “Fête de la Musique ”, a festa da música que traz alegria ao anunciar o começo de mais uma alta temporada. Ritmos diversos e uma juventude descolada subitamente povoam o vilarejo em perfeita harmonia e respeito aos que, há décadas, trabalham pela melhoria e preservação desse paraíso.






Querendo curtir mais de Villefranche-sur-Mer, deixe a noite cair, as lâmpadas amareladas darem o tom e a brisa fresca te sugerir um abraço ou um beijo bem gostoso a sua companhia.


Dicas rápidas

Villefranche-sur-Mer fica a cerca de 7 km a leste de Nice. Você pode ir a pé, pela belíssima estrada litorânea, mas pode ir também de ônibus tradicionais que seguem para Mônaco e Menton e tem paradas regulares durante toda estrada;


Dê umas braçadas nas águas do Mediterrâneo. Em Villefranche-sur-Mer você encontrará uma pequena faixa onde os nativos levam suas cadeiras, suas cestas com frutas da estação, pães, queijos e vinhos. Não têm areia, só pedras. Pedras que assustam num primeiro momento e logo depois nos trazem uma calorosa surpresa;


A estação de trem regional é uma outra opção para destinos mais longe. Fácil chegar e partir, porém a noite não conte com ela. Consulte horário previamente.


A Lingne d' Azur (http://www.lignesdazur.com/) disponibiliza ônibus a cada 15 minutos através da linha Nº100, vindo de Nice e de Monte Carlo. A passagem única tem valor de 1 €. os ônibus deixam seus passageiros no coração da cidade, em frente ao posto de informação turística.(http://www.villefranche-sur-mer.com/)


Mais de Villefranche-sur-Mer


Restaurante bacana de comida francesa e frutos do mar - La Mère Germaine